segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dicas de amaciamento motor Willys

Contrariando velhos ditados, eu particularmente acho que devemos compartilhar informações e conhecimentos. Seguem algumas dicas muito valiosas sobre o amaciamento de motores Willys , mas que valem também para qualquer motor antigo.
Qualquer motor, ainda mais um de concepção antiga como os Willys, com folgas maiores em relação a um motor de concepção moderna exigem cuidados a serem tomados após uma retífica. Um deles é o período de amaciamento, que nada mais é do que o assentamento das peças metálicas móveis do motor, como pistões, anéis, camisas, válvulas, comandos, bronzinas...

1- Verificar diariamente o nível do óleo e água antes de sair com a viatura;

2- Dar partida no motor sem acelerar, puxar ligeiramente o afogador e acionar a chave de ignição. Assim que o motor pegar vá retornando o botão do afogador na posição desacionado. Às vezes, claro, não é necessário acionar o afogador, pois o motor pega de "primeira";

3- Manter o motor em marcha lenta para pré-aquecer não passando de 05 minutos;

4- Sair com a viatura sem esticar as marchas e dirigir sem que se atingam altas rotações (acima de 3.000 rpm) e grandes velocidades (nesse caso é acima de 70 km/h), a não ser em caso de necessidade e por curtíssimos intervalos de tempo. Esses procedimentos devem ser adotados pelo menos até os primeiros 500-600 km percorridos. Nesse sentido, no caso específico dos motores Willys , andando-se normalmente não atinge-se grandes rotações pois ele é um motor de giro baixo (alto torque em baixa rotação);

5-Não manter rotação constante no período de amaciamento, devendo-se variar as velocidades durante os deslocamentos. Por exemplo, ande 10 km a 50 km/h depois mais 10km a 60km/h, volta para 50km/h depois retorne para 60km/h. O importante aqui não é a velocidade, mas evitar rotações constantes (mesmo que baixas) por longos períodos de deslocamento;

6- Muito importante é trocar o óleo do motor e filtro nos primeiros 500/600 km percorridos, ou nos primeiros 6 meses se esta quilometagem não foi percorrida, pois assim elimina-se possíveis partículas metálicas (limalhas) provenientes da retífica ou assentamento entre as peças. Lembre-se de que no caso dos Willys, a filtragem de óleo é parcial. O ideal ainda é remover o carter e limpá-lo completamente;

7- No caso dos bf-161, 2600, 3.000 Willys, assim como outros motores antigos, é importante reapertar os parafusos do cabeçote logo após as primeiras voltas com o motor pronto, pois se forem apertados apenas com o motor frio e uma única vez, em pouco tempo perdem o torque correto ocasionando folgas e incorreto ajustes das válvulas. Siga o torque de aperto correto segundo o manual de manutenção Willys. Outra detalhe é limpar as roscas dos parafusos do cabeçote com um "macho" de medida igual a do parafuso (por experiência própria, aprendi após entortar 2 desses parafusos) bem como substituir por parafusos novos de mesma medida e tamanho. Isso vale para qualquer carro , menos os de hoje que dispensam esse reaperto.


Um ligeiro consumo maior de óleo do motor pode ser percebido às vezes , mas bem pequeno mesmo. Acredito ser pelo excesso de atrito inicial e brunimento das camisas, já que o assentamento dos anéis ainda não está 100%.

Adotando esses procedimentos e fazendo uma manutenção correta seu motor vai durar muitos anos a fio. Meu motor está quase saindo da fase de amaciamento e noto ele cada vez melhor, mais solto. Aquela história de amaciar motores "no pau", ou seja , sempre em altas rotações, é prejudicial nesses motores , embora há quem diga que isso deixa o motor mais forte e não amarrado. Pode até ser, mas certamente não terá a mesma durabilidade. O ideal , como já relatei, é variar as rotações e não mantê-las constantes por muito tempo durante o amaciamento. Isso não deixa nenhum motor frouxo ou amarrado e é garantia de pouca dor de cabeça futura.

Uma retífica completa e bem feita de BF-161 por exemplo, sai hoje em dia na média de R$ 3.500,00 pra mais. Gastei no final de 2009, incríveis R$ 3.200,00, entre peças, retífica e montagem. Mas isso por que eu tinha peças em estoque e a mão-de-obra foi executada por mim e o meu mecânico de confiança. Acredito que hoje chegue a uns R$ 4.000,00. É um valor que pode-se considerar caro, mas quando se busca originalidade e confiança, e sabendo-se da robustez desses motores o resultado pode compensar. Lembre-se que no caso dos motores Willys o virabrequim (árvore de manivelas) não aceita mais do que 3 retíficas (0,01 pol, 0,02 pol, 0,03 pol).


A foto acima é do propulsor WILLYS BF-161, sem o cabeçote, onde pode-se notar a carbonização dos cilindros e válvulas de escape. Trata-se do motor do meu Jeep antes da retífica. Este motor, fabricado em 1967, nunca havia passado por uma retífica, ou seja, era standardt, isso pode ser verificado pelas medidas das folgas e principalmente pela inscrição standardt nos anéis que eram ainda os originais. Este propulsor esteve em funcionamento até o ano 2.000 no Exército e depois ficou parado durante 7 anos, quando voltou a funcionar apenas trocando-se juntas, fluidos e regulagem e demais cuidados necessários. Rodou cerca de 700 km quando começou a demonstrar sua fadiga.

A foto acima é do cabeçote com as válvulas de admissão.

O carter do motor retirado revela uma camada de borra acumulada ao longo dos anos.


Acima, o motor já pronto e instalado.

Obs: as dicas foram elaboradas com a colaboração de amigos experientes no assunto, mecânicos, manual técnico Willys e pelas minhas próprias experiências.


Um comentário:

  1. Bem interessante e importante essa sua reportagem!Até hoje o meu motor não deu sinal de "fadiga" e isso que ele já ficou alguns anos parado, mas sei que um dia terei de fazer uma retífica e essa reportagem já pode me clarear sobre o assunto. Obrigado e até mais!

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