terça-feira, 22 de setembro de 2020

80 ANOS DO JEEP

Não poderíamos deixar passar em branco essa histórica data, quando em 23 de setembro de 1940 o veículo que hoje conhecemos como o Jeep, chegava apenas meia hora antes do prazo estipulado pelos militares para a sua apresentação e teste que surpreendeu a todos.

De Butler, na Pennsylvania a Baltimore, Maryland, 368 km na fé e na confiança, os engenheiros da Bantam chegavam a Camp Holabird para fazer história com aquele veículo.

E falando nisso, se você quer saber um pouco mais em detalhes sobre essa história inicial do Jeep, leia em nosso blog a postagem de 20/09/2019 aqui no blog : http://jeepguerreiro.blogspot.com/2019/09/

O post de hoje é sobre uma famosa frase atribuída a nada mais nada menos que ENZO FERRARI. Sim, aquele italiano que fundou uma das mais tradicionais e desejadas marcas de veículos esportivos de alta performance.

Mas não falaremos de Ferraris, óbvio, mas de uma afirmação do "capo" Enzo sobre o Jeep, que assim como o veículo militar, entrou para a história. Porém, diferentemente do Bantam, não há comprovação de que realmente ele tenha dito aquilo.

A frase? Ah sim, talvez você até já a tenha lido em algum lugar: "O único verdadeiro carro esporte da América".

What? Será que o italiano havia bebido muito vinho naquela ocasião ou será que tem um fundo de lógica aí? Bem, eu tenho minha opinião e quero que vocês deixem também as suas nos comentários, ok?

Mas a questão que quero abordar realmente é da possibilidade desta afirmação ser verdadeira ou não. Ela é constantemente vista em muita literatura, em fóruns, revistas e foi propagada por muitos anos como verdadeira.

Tão repetida, até mesmo pela Jeep, que poderíamos acreditar sem pestanejar. O pessoal de Relações Públicas da marca obviamente tem motivos para usar a frase como uma espécie de atestado honroso, direcionando claramente para o aspecto esportivo utilitário dos Jeep, antigos e atuais. Há quem diga também que na verdade não seria um elogio ao Jeep, de maneira direta, mas uma piada pejorativa em relação aos carros esporte americanos, uma crítica mais dirigida ao então recém-lançado Chevrolet Corvette de 6 cilindros e carroceria de fibra-de-vidro. Ou seja, um veículo lento, de baixa produção, para off-road, fabricado em Toledo ao invés de Detroit seria o verdadeiro roadster americano. Tal piada também poderia fazer sentido já que na época realmente carros compactos e esportivos não eram a especialidade da indústria automobilística americana, já famosa pelas "barcas" potentes mas incapazes de fazerem uma curva em alta velocidade decentemente.

O fato é que não há nenhuma comprovação de que o magnata italiano tenha afirmado tal coisa. Isso não quer dizer que ele realmente não tenha dito, mas apenas não há comprovação. Ou como dizem, "ausência de evidência não é evidência de ausência".

Recentemente uma revista norte-americana especializada em veículos antigos fez uma pequena pesquisa sobre o assunto. Obras literárias como "The Last American CEO", de Jason Vines e Joseph Cappy, ou Art Carey na obra " The United States of Incompetence", sugerindo a fonte como uma publicação impressa mas que nunca apareceu.

No livro War Baby, de Bill Spear, um experiente pesquisador e sobre Jeep, o autor não reproduziu a frase, mas mostra a busca por o que imaginava-se ser uma fonte segura. Primeiro ele chegou a oferecer uma recompensa para qualquer um que pudesse apontar a fonte daquela famosa citação. Não obteve sucesso. Depois buscou anda em um conhecido colecionador italiano já falecido chamado Edo Ansaloni, que possuía um museu de veículos militares em Bolonha e que conhecia os magnatas da época (era até vizinho dos Maserati). Ansaloni teve 2 Bantam Reconnaissance Car restaurados, mas não sabia nada sobre a citação de Ferrari. Ou seja, nem mesmo um pesquisador especializado podia afirmar a fonte do dito "ferrariano".

A revista Hemmings afirmou que procurou alguns autores  sobre o Jeep que haviam usado a suposta fala em seus livros e teve como resposta que repetiram a citação de outros livros!

Bem, mas então vamos procurar diretamente na Ferrari, não é mesmo? Pois nem lá eles tinham familiaridade com a suposta citação. Bem, então clubes do Corvette ( já que a piada era para eles eu acho) ou de Ferrari poderiam saber.  Não sabiam. Ah, mas teve um cara que escreveu a biografia de Enzo , chamado Luca Dal Monte, ex-funcionário da Ferrari. Veja o que ele disse: "Com toda a franqueza, em minha pesquisa para minha biografia de Enzo, nunca encontrei a citação sobre Jeep [...]. Para ser mais preciso eu vi, mas nunca em um livro ou entrevista de Enzo. O que é claro, não prova inequivocamente que ele nunca disse isso".

Mas Luca disse também que Enzo adorava a América e que inclusive viu os Jeep em 1945 passando e libertando o seu país. Luca também disse que nunca ouvira a palavra jeep em italiano e que Enzo pouco falava inglês, e que se ele de fato disse aquilo sobre o veículo certamente seria em italiano.

Mas como trata-se de uma citação famosa e muito utilizada (pelo menos entre os fãs de Jeep como nós) vale uma continuidade na busca. A revista Hemmings chegou a pesquisar sobre Luigi Chinetti, que era um importante importador da marca.

Foi dele talvez um indício mais próximo da veracidade, já que Chinetti havia dito a Carrol Shelby (aquele dos Ford Cobra) em uma entrevista na Revista Sports Illustrated em 1964 , antes de uma corrida em Daytona, zombando de Shelby, que "afinal o melhor carro esporte americano é o Jeep, não?". Pelo menos isso foi o que contou o próprio Shelby em uma entrevista em 2006! Os próprios americanos afirmaram que Chinetti poderia ser confundido com Enzo, já que representava a marca e pouco conheciam sobre a Ferrari, ou poderia ser um porta-voz de Enzo, e especificamente naquele dia ele estava arrogante (no bom sentido)já que suas Ferraris terminaram a corrida em primeiro e terceiro lugares. A dita entreviste de 1964 nunca foi encontrada nos arquivos da revista Sports Illustrated. E pelo que consta, Shelby e Chinetti tinham uma relação bem amigável e no máximo seria uma "zoação". Então poderia ser Chinetti e não Enzo o autor da frase?

Não podemos afirmar.

Enfim, mais uma controvérsia Jeepeira, como aquela da real origem do nome Jeep.

E você, acredita que a citação realmente existiu? E se existiu, foi um elogio ou crítica ao Jeep, ou uma ironia aos carros esporte americanos, ou tudo isso junto?

Bem, de minha parte, eu prefiro ficar com a citação profética e mais fidedigna, do Major Lawes, em 1940, o militar que testou pela primeira vez o Jeep em Holabird antes de passar aos pilotos de provas do Exército. Na ocasião, após "castigar" o novato Bantam disse ao Engenheiro Probst: "Há vinte anos dirijo e avalio cada viatura de serviço adquirida pelo Exército. Por isso sou capaz de julgar em quinze minutos qualquer tipo de veículo. E este aqui tem tudo para ser absolutamente excepcional. Ele vai fazer história."

Abaixo: Luigi Chinetti (à esquerda) e Enzo Ferrari.

Fonte da foto: Ferrari

Contém partes baseadas na matéria de Daniel Strohl, da Revista Hemmings.





sábado, 12 de setembro de 2020

VEÍCULOS UTILITÁRIOS WILLYS NOVA ATUALIZAÇÃO CENSO

 

Olá pessoal. Mês de bastante trabalho paralelo e pesquisas. Um livro ou mais de um pode estar surgindo no horizonte...

Continuando a atualização de nossa pesquisa, seguem os dados mais recentes. Sabemos que os números podem ser maiores, mas os cadastrados estão aqui e podem dar um retrato aproximado do universo de veículos preservados relativamente originais que temos no país. Já temos 546 veículos cadastrados!

Lembrando que esta é uma pesquisa idealizada e realizada a várias mãos, com parceiros do blog. Se você quer contribuir indicando alguém que tem um um veículo utilitário Willys/Kaiser/Ford ou mesmo cadastrar seu veículo mande um e-mail para jeepguerreiro@gmail.com.



quarta-feira, 15 de julho de 2020

A legendária série CJ do Jeep - 75 anos de história


De fato, a data de 17 de julho de 1945 oficialmente marca o surgimento, há 75 anos, do primeiro modelo de produção seriada do Jeep civil, o CJ-2A. Portanto , ainda em plena Segunda Guerra Mundial e dividindo a linha de produção com o modelo militar MB, produzido até 20 de agosto daquele ano.

A sigla CJ , de Civilian Jeep, surgiu no protótipo CJ1, em 1944, e cerca de 22 protótipos de CJ-1A foram construídos para testes. Algum tempo depois, a Willys construiu um pequeno número de modelos de protótipos civis aprimorados, apelidados de CJ2, que também são chamados de Agrijeeps, até ser adotada definitivamente a sigla CJ-2A.

A denominação Agrijeep foi rapidamente descartada pois ,comercialmente restringia muito o nicho de mercado. Os Agrijeeps tiveram menos de 50 unidades produzidas e o maior número de série encontrado nas unidades sobreviventes até agora é o CJ-2-37.






O primeiros CJ-2A  eram muito parecidos com o modelo militar, até porque utilizavam muitas peças em conjunto, como os eixos traseiros. Basicamente houve a troca da alavanca de acionamento das marchas para a coluna de direção, adoção de faróis maiores e sinaleiras civis, porta traseira e pneu sobressalente montado na lateral, bancos mais confortáveis e suspensão mais macia!  À medida que as vendas iam subindo e com o final da produção do modelo MB, as peças foram sendo substituídas e o visual cada vez mais limpo em relação ao MB. Naquele ano, foram produzidos 1.824 CJ-2A , iniciando com o número de série 10001. Já no ano seguinte, a produção saltaria para 71554 unidades, tamanho o sucesso do modelo. O CJ-2A possuía um preço de varejo sugerido de US $ 1.090.





Os primeiros eram vendidos com apenas duas opções de cores, até o número de série 38221. Eram Pasture Green (um tom claro de verde) e Harvest Tan ( um tom claro de marrom). A opção Pasture Green vinha com rodas Amarelo Outono  (Autumn Yellow). Já a opção Harvest Tan fazia a combinação com rodas Vermelho Pôr-do-Sol (Sunset Red), que na verdade era um tom de laranja abóbora brilhante adornadas com um filete preto de 1/4 de polegada, ou aproximadamente 0,64 cm.

A partir da série 38221, já vinha com mais quatro opções de cores: Princeton Black (ou Americar Black), Normandy Blue (Azul Normandia), um tipo de azul marinho , Michigan Yellow (amarelo médio) e Harvard Red (vermelho brilhante). As rodas também apresentaram novas combinações:
Amarelo Outono com listra preta, e Vermelho Pôr-do-Sol com uma listra azul Normandia. quando a carroceria era Azul Normandia.
A carroceria Amarelo Michigan vinha com 3 cores de roda diferentes: Pasture Green com uma listra amarelo Michigan, Americar Black com uma listra Wake Marfim e Vermelho Pôr-do-sol com uma faixa Americar Black.

A cada ano novas cores e combinações foram acrescentadas. Inclusive o Olive Drab (Verde-Oliva) foi uma opção de exportação para uso militar. Sim, embora de uso civil, era um Jeep, surgido para a guerra, e com a produção de modelos militares interrompida foi a opção para outros países como a África do Sul e Suíça e mais tarde, inclusive o Brasil.

Essa sigla CJ evoluiu até o CJ-8 Scrambler e perdurou até 1985, quando foi adotada a YJ para o modelo Wrangler, nos EUA. No entanto, comercialmente a Willys adotava o nome Jeep Universal para destacar a versatilidade e uso civil de seus modelos Jeep. Certamente, o mais popular e longevo dessa série é o Jeep Universal CJ-5, tendo surgido em 1955 e perdurado até 1985. No Brasil permaneceu até 1983, pela Ford.
Apesar da certeza de um bom produto e da demanda de mercado, provavelmente nem mesmo a empresa poderia prever o tamanho sucesso e longevidade da linhagem de  Jipes CJs. Não é para menos, pois você tinha um veículo que podia ser usado no serviço da fazenda, com a possibilidade de acoplar uma série de equipamentos e que ao mesmo tempo podia ser utilizado para ir à vila mais próxima ou à missa nos finais-de-semana.

Dos três produtores de Jeeps-Ford, Willys e Bantam durante a guerra, apenas a Willys permaneceu construindo Jeeps. A Ford estava interessada, mas quando seu próprio projeto de jipe ​​foi rejeitado pelos militares, forçando a produção da versão Willys, a chance de oferecer um jipe ​​civil praticamente acabou.
Alegava  Ford, que o Jeep simplesmente não era importante o suficiente  a ponto de se preocupar. O terceiro dos construtores originais, American Bantam, nunca voltou ao mercado automobilístico após a guerra e acabou desaparecendo.

A Willys Overland oportunamente, soube aproveitar a fama do Jeep na guerra para oferecê-lo ao mercado civil. Portanto, ela tinha um excelente produto, de confiabilidade e robustez já comprovadas, que eram características essenciais para o novo uso a que o veículo seria destinado, ou seja, o uso agrícola e posteriormente, o uso como veículo de serviço também nos espaços urbanos.

Para isso, a Willys, além de destacar a versatilidade do Jeep no seu marketing, abusava do apelo sentimental do veículo herói de guerra, com slogans do tipo “Nascido para a guerra, pronto para a paz”.

Quando o nome jeep se popularizou, costumava ser digitado em letras minúsculas: jipe. A Willys percebeu a empatia e o valor econômico do nome e o registrou como uma marca comercial da Willys-Overland, em merecidas letras maiúsculas.

Após a guerra, o Jeep ​​se tornaria fundamental para o futuro da Willys-Overland. E lá eles sabiam disso. A empresa  porém não poderia sobreviver baseada em um modelo. As despesas gerais na fábrica exigiriam um nível de produção de pelo menos 54.000 Jeep Universal por ano. Era um nível que a Willys poderia atingir em alguns anos, como 1946, mas que poderia ficar aquém em outros anos.

Porém a ideia de produzir um modelo de Jipe para uso civil remonta a 1941, com o protótipo X-12. A letra X designava um veículo de teste, fabricado em novembro de 1941 e modificado em 1942.

A foto acima é do oficialmente reconhecido como o mais antigo protótipo de jeep para uso civil, o MB42 "Auburn" de 1942. Pertence a Tood Paisley e está em condições de rodagem.
Em abril de 1942 o Ministério da Agricultura norte-americano patrocinou um teste em Auburn, Alabama, para ver se o jipe podia ser usado como um trator para realizar várias tarefas ao redor da fazenda-laboratório, no complexo do Farm Machinery Tillage. O Exército forneceu um Ford GPW e a Willys Overland mandou um MB especialmente preparado, juntamente com seus 2 pilotos de testes.  Mais sobre eles você pode encontrar  em um post de agosto de 2010, aqui no blog.

Mas o que pouca gente sabe é que Jeeps foram vendidos a civis ainda em maio de 1943!  As fotos acima ilustram o que podemos chamar do primeiro lote de jipes vendidos para civis. Eram viaturas militares do Exército americano adquiridas por um comerciante de Chicago, EUA, chamado Berg. Também fizemos um post sobre isso em junho de 2010.



No Brasil, a antiga importadora e concessionária Willys, Gastal, do RJ foi a pioneira a trazer os CJ em 1947. Abaixo, interessante foto mostra a chegada de um Jeep CJ2-A novinho em 1947. Chegavam dos EUA via marítima, parcialmente desmontados em caixotes de madeira. A demanda porém, era muito maior que a oferta e se você adquirisse um teria de esperar um tempo razoável.

Se em um país já desenvolvido na época, como os EUA , a série CJ fez tanto sucesso, imagine em um país ainda emergente como o nosso, carente de qualquer tipo de veículo, ainda mais daqueles capazes de trafegar sem dificuldades em nossas então raras estradas pavimentadas ou até mesmo onde elas sequer existiam. Além disso, era pequeno, ágil, versátil e diferente.

Essa  demanda crescente despertou obviamente o interesse de atuar diretamente nesses mercados emergentes, e por isso devido primeiramente ao sucesso do Jeep, a Willys Overland veio a estabelecer um escritório de sua divisão exportadora em 1950, no Rio de Janeiro.

A partir daí, associação entre a Gastal com seus subdistribuidores  e a Willys levaram a fundação da WOB, Willys Overland do Brasil em 26 de abril de 1952, que passou a importar diretamente os modelos, agora conhecidos como CJ-3A . Mais tarde, quando Henry Kaiser adquiriu o controle da Willys em 1953 e decidiu montar uma fábrica no Brasil, o famoso “Barracão da Willys” na região de São Bernardo do Campo, SP, o modelo CJ-3B conhecido aqui também pelo apelido cara-de-cavalo por causa do capô alto, passou a ser montado aqui, com 30% de peças nacionais. Em 1955 foi apresentado o novo modelo CJ5 que passou por um acelerado processo de nacionalização até 1960 e que foi mantido em produção até 1968 pela Willys Overland do Brasil e de 1969 (quando denominava-se Ford-Willys) até março de 1983, pela Ford. No Brasil, ao todo, os modelos CJ montados ou produzidos aqui, também conhecidos como Jeep Universal, compreenderam o CJ2A, CJ3A, CJ3B, CJ-5 e CJ-6 (versão alongada) de 2 e 4 portas. Os modelos CJ-5 e CJ-6 tiveram ainda versões com tração apenas em 2 rodas.

Não é exagero afirmar, que aqui, como em outros lugares de regiões ainda pouco exploradas geograficamente e desenvolvidas economicamente,  os modelos Jeep CJ  foram protagonistas da história desses lugares, contribuindo com o desenvolvimento sócio-econômico e que até hoje marcam a memória dos saudosistas e despertam paixões e fãs.

Além disso, o conceito de 4x4 surgido com o Jeep popularizou-se ainda mais com os CJs e perdura ainda hoje a ponto do nome virar sinônimo para qualquer veículo 4x4 pequeno e ágil. Quando você guia um Jeep de verdade, você não está guiando um veículo antigo qualquer, e sim um pedaço da história, o que é bem diferente.
Acima, o primeiro. Abaixo, o último.


sábado, 11 de julho de 2020

Preservação Modelos Willys/Ford no Brasil - atualização dados da pesquisa


Olá pessoal!
Seguem abaixo as últimas atualizações da pesquisa.

Recentemente o blog jeepguerreiro deu início ao Censo de veículos utilitários da marca Willys/Kaiser/Ford preservados existentes no Brasil, mapeando quantos e quais modelos ainda rodam e por qual região.
Pedimos gentilmente para o pessoal participar.
Criamos uma enquete, que já está rolando em alguns grupos de watsapp, mas se você ainda não recebeu e quer participar, acesse o link abaixo, preencher a pesquisa, rolar a tela lá embaixo e clicar em enviar.

https://forms.gle/p6wntAybachrVEi89

Em 2 minutos a pesquisa estrá respondida.
Podem ser cadastradas até 10 viaturas por proprietário. Caso tenha mais, mande-nos e-mail para jeepguerreiro@gmail.com.
Os resultados serão postados periodicamente neste blog.

Se você conhece alguém que possua viaturas civis ou militares, preservadas ou com mínimas alterações, ajude-nos a deixar a pesquisa mais completa e divulgue o link.


IMPORTANTE: a presente pesquisa não será utilizada para fins comerciais ou envio de SPAM's e/ou mensagens e tem a privacidade garantida. Ela tem o caráter didático, quanti e qualitativo ao trabalho de consolidação de informações apenas.

A pesquisa foi idealizada pelo parceiro do blog , Rodrigo Rossi e estamos, juntamente com outros amigos e fãs dos veículos Willys/Kaiser/Ford, trabalhando para que ela seja um retrato da realidade da preservação desses modelos em nosso país. Além de fazer parte de uma futura obra sobre a história desses modelos.





quinta-feira, 25 de junho de 2020

CENSO Veículos Utilitários Willys/Kaiser/Ford

O blog jeepguerreiro deu início ao Censo de veículos utilitários da marca Willys/Kaiser/Ford preservados existentes no Brasil, mapeando quantos e quais modelos ainda rodam e por qual região.
Pedimos gentilmente para o pessoal participar.
Criamos uma enquete, que já está rolando em alguns grupos de watsapp, mas se você ainda não recebeu e quer participar, acesse o link abaixo, preencher a pesquisa, rolar a tela lá embaixo e clicar em enviar.

https://forms.gle/p6wntAybachrVEi89

Em 2 minutos a pesquisa estrá respondida. 
Podem ser cadastradas até 10 viaturas por proprietário. Caso tenha mais, mande-nos e-mail para jeepguerreiro@gmail.com.
Os resultados serão postados periodicamente neste blog.

Se você conhece alguém que possua viaturas civis ou militares, preservadas ou com mínimas alterações, ajude-nos a deixar a pesquisa mais completa e divulgue o link.

IMPORTANTE: a presente pesquisa não será utilizada para fins comerciais ou envio de SPAM's e/ou mensagens e tem a privacidade garantida. Ela tem o caráter didático, quanti e qualitativo ao trabalho de consolidação de informações apenas.

Os primeiros resultados podem ser conferidos abaixo:






segunda-feira, 18 de maio de 2020

O Jeep que tinha o estepe "canhoto"

    Olá pessoal. Este post é o primeiro após a marca de mais de 600.000 visitas aqui no blog. Agradeço a todos que passam por aqui e que ajudaram a atingir esta marca. Mas o mais importante é realmente saber que aqui nos ajudamos a conhecer um pouco sobre os nossos fantásticos veículos utilitários Willys/Kaiser/Ford. Ou seja, aqui não é pretensão perseguir mais likes ou curtidas, o objetivo é muito mais nobre e profundo. 
    Um assunto interessante e único na história dos Jeep americanos, no caso os pioneiros civis CJ-2A , é o fato de que em dado momento, a fábrica  modificou o lado em que era fixado o estepe desses modelos.            Mas isso ocorreu somente em certo período e ao que parece, em uma das fábricas: a planta da Willys em Maywood, Califórnia. Esta planta fabril em especial, foi fundada em 1929 e fechou em 1954. Após a Segunda Guerra Mundial, onde por um breve momento deixou de produzir automóveis para ajudar no esforço de guerra, alugando as instalações para a Lockheed Aircraft Corporation, em 1947 volta-se novamente para a montagem de automóveis e naquele ano, 108 Jeep CJ2 foram produzidos lá.
    Na Califórnia, como é comum nos EUA ainda hoje, vários Estados possuem legislação própria sobre diversos temas. E naquela época, final dos anos 40, não era diferente. Cito isto pois é o fator determinante que levou a Willys Overland a instalar o pneu sobressalente dos CJ-2A de 1948 no lado esquerdo. São os chamados Jeeps "Leftys".
    Sabemos que por padrão o estepe dos modelos civis daquela época era fixado no lado direito, entre outras cisas, por questão de equilíbrio de peso. Porém, o Boletim de Serviço Willys Overland 48-27 denominado Alterações e Informações sobre Veículos, de 25 de maio de 1948, notificou os distribuidores e revendedores sobre uma alteração no local de montagem dos pneus sobressalentes. Por um curtíssimo espaço de tempo, entre 3 de março a 14 de abril de 1948, a fábrica mudou a localização para o lado esquerdo, passando então os suportes da ferragem da capota para o lado direito. Ou seja, inverteu o negócio.
    Para entendermos um pouquinho a razão disso, é pertinente citarmos que no período pós-guerra, ainda de escassez de material, a legislação americana encasquetou com os estepes dos veículos. Pudera, após tanta borracha ser consumida, adicionar mais borracha ainda em veículos com seus estepes não era razoável naquele momento. Um site americano relatou que "os regulamentos do governo determinavam que pneus e tubos sobressalentes não pudessem ser enviados com carros, incluindo carros de passeio, um regulamento que foi revogado em dezembro 1946 ". Bem, isso explica algumas fotos de época de Jeeps equipados somente com a roda sobressalente e sem o respectivo pneumático! Sim porque americano pão-duro só o Tio Patinhas!
    A foto acima por exemplo, da Biblioteca Pública de Los Angeles, mostra um descarregamento de laranjas vindas da Califórnia para um evento em Nova York, onde seriam "jogadas" em um desfile de Jeep. Notar o estepe sem pneu em um CJ-2A.
Esplêndida foto de um Lefty Jeep de 1948 em plena ação. Notar a posição do estepe e dos parafusos, voltados para baixo.

    Porém, em alguns estados americanos (não tenho certeza de quais, somente tenho certeza em relação à Califórnia) a questão dos estepes tinha a ver com segurança viária. Então, visando atender certa legislação estadual, unidades saíram com estepe no lado esquerdo. Porém, a produção de unidades com a posição padrão continuaram normalmente.
    Essas leis, contrárias à maioria do departamento de Trânsito Americano, que considerava que quando você está prestando serviços de manutenção à beira da estrada por exemplo, não será atingido pelo tráfego (por isso carros de serviço postal e minivans têm suas portas de acesso de serviço no lado direito), apontavam para uma preocupação de que pedestres não fossem atingidos ou o estepe pudesse enroscar em algo. Bem, mas acessar o estepe, de fora do veículo, na beira de uma rodovia é tão ou mais perigoso não é?
    Fato é que por um breve momento,por imposição legal de certas leis estaduais, a Willys Overland viu-se obrigada a atender a legislação.
    Apesar de no Brasil não existir lei parecida (acho), fiquei sabendo que certa vez, no Exército Brasileiro, um comandante de unidade mandou trocar a posição do estepe de todos os Jeep Kaiser M606 (CJ3B) do Quartel pois um deles havia enganchado em uma donzela.
    Pesquisas realizadas por entusiastas americanos apontam que os números de série que englobam esses modelos encontram-se entre 176061 a 185768 de acordo com o Boletim de Serviços já citado, de 1948. Porém foram relatados Jeep com números de série anteriores, como 173144, 173303, 173313, 173392.
A planta Willys da costa oeste americana certamente os produziu, mas unidades podem ter sido montadas em outro lugar também, pois as carrocerias (bodys) eram fornecidas pela ACM (American Central Manufacturing) e certamente unidades sobradas não eram desperdiçadas no estoque.



 Alavanca vermelha: overdrive.
 Acima: detalhe do reforço interno e suporte interno do estepe, no lado esquerdo.
 Acima: o suporte de estepe, que podia ser convertido facilmente para o lado "normal direito" apenas girando-o.
 Exemplar sobrevivente. Calcula-se que existam menos de 20 unidades originais em condições de restauro ou restauradas.

     Mas porque essa disposição de estepe durou tão pouco, se visava atender a legislação?
   Bem , primeiro pela dificuldade de adotar um padrão desse, por questão de segurança e, como os veículos de fora do estado iriam atender o requisito sem um adaptação forçada? Fora o fato, que certamente a Willys ponderou, dos custos de produção , já que exigia modificações no padrão de carrocerias. Mas não foi só isso. O Boletim de Serviço de 1948 , dá pistas sobre a volta ao "normal":
"A montagem do pneu sobressalente no modelo CJ-2A foi alterada do lado direito para o esquerdo para cumprir a lei em alguns Estados.Esta alteração não foi vantajosa, causando muita concentração de peso no lado esquerdo do veículo (motor desligado, caixa de direção, tanque de combustível e motorista), fazendo com que ela se abaixasse, de modo que a montagem da mão direita fosse readaptada a partir do veículo número de série 185769 em 14 de abril de 1948, com certas exceções. Um kit de montagem de roda sobressalente está agora disponível sob a peça nº 670504 para montar a roda na tampa traseira. nos Estados onde isso é necessário."

    Vejam que para continuar a atender a legislação e ao mesmo tempo não comprometer as características dinâmicas do veículo e alterar padrões importantes de linha de produção, a solução foi um kit de estepe na traseira.

    Grato pela atenção pessoal, e até a próxima!
 
Site Meter