domingo, 26 de fevereiro de 2017

COR MOTORES WILLYS NACIONAIS

Para o blog jeepguerreiro 2017 inicia agora. Mais um ano falando de veículos Willys e afins. Apesar das dificuldades vamos fazer o possível para continuar compartilhando informações e opiniões, pois o que buscamos é a qualidade e não a quantidade.
Dito isto, o primeiro post do ano aborda um assunto que em processos de restauração é primordial: a aparência do compartimento do motor. Já ouviram a antiga frase "Por fora bela viola, por dentro pão bolorento?" Aplica-se nesse caso. De nada adianta um veículo primorosamente restaurado se ao abrirmos o capô lá está um propulsor e seus componentes sujos, com pintura gasta ou de várias tonalidades, mal pintado... ou seja: nada apresentável. Claro, quando trata-se de motor nunca restaurado, a exceção aparece, mas mesmo assim ele conserva o padrão e uma certa "limpeza estética". Ainda mais em Jeep/Rural/F75 que o povo está acostumado a ver o motor sempre sujo, já que estes veículos são muito utilizados ainda hoje no trabalho rural e no uso do esporte fora-de-estrada (off-road), de repente abre-se o capô e lá está um propulsor tinindo, nem parece de Jeep!
Pois é , mas qual será a cor correta para o motor? 
No Brasil, o primeiro motor produzido por aqui para o nosso modelo nacionalizado 5224 Jeep Universal (CJ-5) e Rural Jeep, e que foi inclusive o pioneiro a gasolina fundido no Brasil, foi o Willys BF-161 6 cilindros. Em 1963, ele foi "envenenado" pela fábrica para equipar o novo Aero-Willys e denominado 2.600, possuía dupla carburação como característica principal. Em 1967 surge o motor Willys 3.000 cc para equipar o Willys Itamaraty. O 2.600cc e o 3.000cc também equiparam a Rural e as Pick-up Jeep/F-75/F-85 como opcional. Em 1975 veio o Ford "Georgia " OHC 2.300 cc. Ainda teve o Perkins 192 4 cil Diesel, que equipou algumas unidades da Pick-up Jeep nos anos 60. Não vou adentrar aqui em maiores detalhes das especificações dos motores, mas apenas listar os utilizados pelo modelos nacionais. Mas vou acrescentar na listagem o famoso Hurricane 4 cilindros F134 que equipou os CJ-3B e CJ-5 americanos importados e os últimos CJ-5 nacionalizados com carroceria americana (início de 1958).
HURRICANE
O motor Hurricane, ao contrário do que muitos pensam, não era vermelho. Quando me refiro a isso estou tratando da cor predominante (bloco por exemplo). Tinha o bloco e alguns agregados pintados de 3 cores diferentes originalmente: PRETO, AMARELO e AZUL, conforme a taxa de compressão. Os pintados em PRETO semi-brilho tinham a compressão 7,4:1 e eram descritos como baixa compressão (nos Estados Unidos) e alta compressão (fora dos Estados unidos. Vieram para o Brasil nas Pick-ups Jeep americanas anteriores a 1960, mas a probabilidade de ter equipado também alguns CJ-5 montados no Brasil é grande. Em AMARELO semi-brilho tinham a compressão 7,8:1 e eram denominados alta compressão (nos Estados Unidos). Não vieram para cá.
Finalmente, em AZUL semi-brilho os de taxa de compressão 6,9:1, padrão destes motores.
O modelo militar  M38A1 (primeiro a receber o Hurricane), no entanto,  tinha o bloco pintado de Olive Drab (Verde-Oliva).



 Acima e abaixo, motor nunca restaurado de um CJ-5 americano 1962.



 Abaixo, Hurricane antes da restauração. Essa era a cor padrão (deveria ser) da maioria dos Hurricane que equiparam os Jeep montados no Brasil.
O que acontece é que a cor de fundo ( base) era o vermelho, o que com o tempo acaba sendo a única cor que sobrevive e leva a crer tratar-se da cor correta. Porém, não é descartado que unidades montadas aqui simplesmente não adotaram o padrão do Hurricane (preto ou azul, conforme a taxa de compressão dos que vieram importados). Como o FHead Hurricane não era um motor nacional, o critério obviamente é pautar-se pelo adotado no país de origem.
MOTOR BF-161 6 cilindros
Este é o motor mais utilizado nos Willys brasileiros, orgulho da indústria automobilística nacional na época. Surgiu em meados de 1958 para equipar o Jeep Universal e a Rural Jeep. As fotos abaixo dispensam maiores comentários quanto a cor correta para este propulsor e agregados. CUIDADO com as propagandas antigas, pois devido a inexistência de recursos gráficos e tecnologia, às vezes elas não correspondem na totalidade com o que era originalmente a realidade. Veja o exemplo abaixo:
Viram só? O propulsor simplesmente foi totalmente pintado de vermelho ( até o filtro de ar....). Isso foi usado para destacar o conjunto, mas claro não era o padrão de produção.
Agora sim, imagens do padrão:

MOTOR WILLYS 2.600
Este equipou os modelos Aero-Willys de 1963 a 1971 e opcionalmente a Rural a partir de 1967.

MOTOR WILLYS 3.000
O motor mais forte produzido pela Willys brasileira, tinha carburador de corpo duplo (e não dupla carburação) equipou os veículos Aero-Willys Itamaraty de 1967 a 1971 e opcionalmente a Pick-up Jeep/F-75/F-85 e Rural, a partir de 1967 a 1975. A cor para este motor era o DOURADO ou OURO. O Azul era utilizado na linha Maverick.


MOTOR FORD "GEORGIA" OHC 2.300 4 cilindros
Equipou os Jeep , Rural e F-75/85 de 1975 a 1983.




PERKINS 192 4 Cilindros DIESEL




domingo, 25 de dezembro de 2016

Vai tranquilo, é Jeep!

 Planilha com itinerário da jornada. A chegada foi mais de duas horas após o previsto.

De 11 a 13 de novembro de 2016, realizou-se na grande Florianópolis, em Santa Catarina, mais precisamente na cidade de São José, a Décima Segunda edição da Meca dos preservadores de viaturas militares do Brasil, que são os Encontros Nacionais. O post anterior , através de imagens deu uma ideia do que foi o referido evento, uma das melhores edições, na opinião dos próprios preservadores. 
Mas para mim e um grupo de preservadores do Rio Grande do Sul,  foi um marco histórico. 
Este post tem o intuito de reforçar a robustez e confiança do velho guerreiro Jeep e inspirar outros proprietários desses veículos a colocarem-no na estrada e curtir a viagem, que garanto, a bordo de um Jeep é unica e inesquecível.
Pela primeira vez um grupo de preservadores de viaturas militares, somente com viaturas leves 1/4 ton Jeep, rodou mais de
500 km, do RS a SC e retornou, rodando, para fazer história. Do Rio Grande do Sul partiram 06 jipes, 01 Willys MB 1942, 02 CJ3A, 1949 e 1951, e três 5224 (CJ-5) 1967, 1972 e 1973. Em Criciúma, SC, juntou-se ao comboio mais 02 Willys MB, 01 5224 1965 e um raro Ford GPW 1945 (este veio na folga, sobre um caminhão Chevrolet Brasil).
Com exceção dos dois CJ3A, que possuíam motorização GM Opala 4 cil e relação longa de diferencial, os demais possuíam mecânica original, constituindo-se um verdadeiro desafio e aventura, chegar e voltar do destino e missão imposta.
Confesso que no início tive certo receio, apesar do excelente estado de conservação de minha viatura, mas por nunca ter ultrapassado a marca de 120 km rodados ida e volta, um trajeto de mais de 500 km só de ida deixou-me preocupado. Principalmente pelo fato da mecânica totalmente original, inclusive relação de diferencial curta (5:38) e ainda adotando o famigerado platinado e condensador no sistema distribuição. 
Mas como missão dada é missão cumprida, e os infantes mecanizados têm a fibra necessária , após uma minuciosa revisão, partimos, eu e meu velho guerreiro, em 09 de novembro, para o primeiro PC (Posto de Controle) distante a 60 km do ponto de partida. Logo no início a chuva perseguiu-me e não deu trégua, a ponto de em certos trechos o lento limpador não dar conta, mas no final, tudo certo, primeira etapa concluída, juntando-se ao companheiro na germânica Teutônia.

 No dia seguinte, ainda de madrugada, a alvorada foi às 5h. Partimos, rumo a BR 386 ao encontro do segundo escalão, vindo de Forquetinha/Lajeado com 3 viaturas.

Assim seguimos sem percalços até a capital gaúcha, onde na entrada da BR 290 um dos Jeep apresentou pane elétrica, mas nada que um empurrãozinho não resolvesse (era a bateria dando sinal de final de vida e não sabíamos). Assim, encontramos o último integrante motorizado em terras gaúchas, com outro Ford 5224, totalizando meia dúzia de viaturas. No meu caso, aproveitei para a segunda parada para abastecimento.
Seguimos rodando, em comboio aberto, ou seja, com certo intervalo de 2 a 3 carros entre nós, faróis acesos, e onde o veículo mais lento puxava a frente, e todos eram responsáveis pelo veículo que seguia atrás. Um parava, todos paravam. Velocidades constantes em média de 65 a 75 km/h. Cruzamos a divisa com Santa Catarina, sob sol forte. 


Próximo a Araranguá, pane elétrica novamente no 5224 1972, e resolvemos intercambiar a bateria com a do modelo 1973, para testarmos se o problema estava no suspeito alternador. Após alguns kilômetros e um estrondo e uma chama na traseira do Jeep 1973 assustou a todos, de início. A bateria havia entrado em curto, o combustível não queimado por sorte foi parar no silencioso do escapamento e alí a reação química fez explodir o mesmo, abrindo uma fenda na peça e chegando a entortar a placa de identificação presa no parachoques. A bateria boa passa novamente para o Jeep que a possuía e fui incumbido de rebocar o Jeep que ficou sem a mesma, até um ponto mais seguro na rodovia. Por sorte, estávamos próximos a uma grande rede de varejo e uma bateria nova foi adquirida. Ao lado, um excelente estabelecimento de fast-food, com um delicioso hambúrguer recarregou nossas baterias, digo, estômagos vazios.


Algumas de dezenas de kilômetros depois, minha viatura começou a falhar até que parou, no acostamento e não quis mais pegar. Minha primeira suspeita era sujeira na linha de combustível , conheço as manias do meu Jeep, e se fosse isso, o procedimento era bem conhecido. No entanto ao verificarmos o distribuidor, estava lá o platinado, com os contatos colados e literalmente quebrado. Mas claro, numa viagem dessas, leva-se peças sobressalentes só pra garantir, e foi só trocarmos o platinado e ajustarmos a ignição (com a ajuda do mecânico oficial do comboio) e seguimos viagem. 







Uma grande parada para reabastecer em Laguna e seguimos até Palhoça, onde em marcha lenta o carburador estava afogando. A partir daí, o comboio seguiu em regime fechado, e em velocidade um pouco acima da média adotada até então, escoltado por um batedor de motocicleta, pois o trânsito começava a congestionar. Até que chegamos ao destino, na orla de São José, quando já passava das 20h.
No dia seguinte, já na sexta-feira, bem cedo, uma inspeção nas viaturas, regulagem e limpeza , prontos para a exposição e a viagem de volta.




O retorno aconteceu em dois escalões. O primeiro, partindo no domingo pela manhã, às 07h30min , com 04 viaturas e o segundo , no domingo às 15h30min com mais 04 viaturas.


Parti no primeiro escalão, chegando ao destino às19h35min. A volta foi espetacular, sem qualquer problema e o Jeep mais inteiro do que eu....
Rodei no total 1250 km. Efetuei 09 reabastecimentos de gasolina aditivada (05 na ida e 04 na volta), passando por 4 pedágios (02 ida e volta).O gasto total de combustível foi de R$ 772,00. A média de consumo não foi estimada no trajeto de ida, mas no retorno o consumo médio foi de 6,5 km/l entre São José a Maracajá e Maracajá a Osório. A partir daí até Rosinha (já próximo a Teutônia) a média foi de 9 km/l. São médias razoáveis para um BF-161 3 marchas com relação 5:38 (43/8).
No comboio, o saldo total foi muito positivo em relação ao trajeto e avarias apresentadas. Um platinado e um cabo de velocímetro quebrados no meu Jeep, uma bateria arriada em outro, um dínamo no final de vida em outro e pane elétrica num terceiro.
A lição: nossos Jeep, apesar de antigos e de pequenos problemas e sustos que podem dar, aguentam sim viagens assim, são resistentes e devagar vão longe. Lembro que antes da jornada, um amigo falou-me: vá tranquilo, é Jeep! 
Além do mais, a paisagem pode ser melhor apreciada a bordo de um Jeep, além do que o próprio veículo colabora para melhorar a monótona paisagem da estrada com seus veículos modernos e rápidos. Afinal não é todo dia que vê-se rodando velhos guerreiros de aço verde-oliva. Se tivéssemos que retribuir os inúmeros acenos e buzinaços de cumprimentos pela nossa passagem certamente chegaríamos sem buzina e com os membros superiores amortecidos. A bordo de nossos Jeep, com as bandeiras que tremularam nas hastes de nossas antenas, o Brasil é mais Brasil e os caminhos mais amenos. Um exemplo de resistência de nossos Jeep e de união, patriotismo e camaradagem dos companheiros dessa jornada.


sábado, 19 de novembro de 2016

XII EBVMA

O blog jeepguerreiro esteve presente neste grandioso evento das viaturas militares antigas e de maneira histórica. Fomos rodando mais de 600 km com o nosso veterano Jeep Willys Militar 1967 fazendo parte de um comboio que partiu do interior do Rio Grande do Sul e que no final estava composto por 09 jipes. Mas isto é assunto para outro momento.
O evento na grande Florianópolis foi caracterizado por muita qualidade na organização e nas viaturas expostas, e na categoria Jeeps Militares só ficou faltando mesmo o M606 "Cara-de-Cavalo". Organizado pela ABPVMA - Associação Brasileira de Preservadores de Viaturas Militares Antigas, filiada à MVPA norte-americana, contou com efetivos de vários Pelotões e Grupamentos: GPVMA-RS e Pelotão Antares, ambos do Rio Grande do Sul, Cia Indestrutíveis, Pelotão Pégasus, Ferrador, 14 Batalhão Cívico, Polaris, Brigada Paranaense, CVMARJ, entre outros.
Foram 04 dias intensos onde preservadores de todo o Brasil puderam reunir-se. Encontramos vários leitores do blog, em especial os amigos Rodrigo Rossi , Eduardo Fontanella e Juliano "Jacaré". Mas vamos deixar um pouco de conversa e vamos curtir algumas imagens.












































 
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