sábado, 6 de agosto de 2016

Jipes Militares diferentes Parte II - Fiat Campagnolo

Surgido na mesma época do Alfa Romeo AR 51 Matta (vide postagem anterior), seu principal concorrente, o Fiat Campagnolo teve sua produção iniciada em setembro de 1951, onde juntamente com o Alfa foi denominado AR55 e teve unidades civis e militares. Em 1953, a Fiat vence o contrato com as Forças Armadas italianas, forçando o final de produção do concorrente da Alfa-Romeo e portanto tendo vida bem mais longa, sendo produzido até 1987 (Nuova Campagnolo). A razão principal pela preterição do Matta, foi que o Fiat era mais econômico em termos de manutenção e produção. O objetivo era o mesmo: renovar a frota de "fuori strada" da Itália.

A denominação inicial era para ser 1101 Alpina mas o ainda recente final da Segunda Guerra Mundial e o nome considerado muito militarista, foi trocado por Campagnolo a fim de enfatizar a possibilidade de uso civil, principalmente para a agricultura.
Durante sua produção longa teve várias modificações para variados e severos usos, tanto civis quanto militares.
As primeiras séries tinham 3,775 m de comprimento , 1,945 m de largura e 1,600 de altura e 2,225 m de entreeixos.







Eram equipados com um motor 4 cilindros a gasolina 1.900. Em 1953 a versão diesel foi introduzida. Em 1959 teve sua potência aumentada e atingia 116 km/h a gasolina e 95 km/h na versão diesel.
Em 1959, a versão militar AR 59 começou a ser produzida, com sistema elétrico 24 volts que possibilitava submersões e usos em condições extremas. Usava motor 4 cilindros a gasolina 1.900 cc, carburador Solex, com 53 hp de potência e nas versões finais tinham 64 hp. A versão diesel tinha o bloco derivado diretamente da versão a gasolina, com potência de 40 hp e nas últimas versões, 48 hp.
Em 1969 teve o propulsor trocado pelo da Van Fiat, a diesel tipo C.
O Fiat Campagnolo foi produzido sob licença, pela Zastava, na Iugoslávia, com a denominação AR51/V e AR 55/V.
Em 1973 o Fiat Campagnolo de primeira geração teve a produção encerrada, com 39.076 veículo produzidos, sendo 7.783 na versão a diesel.
O modelo deu lugar em 1974, ao Fiat 1107 Nuova Campagnola, produzido até 1987. A versão militar veio em 1976 denominado AR76 (4 marchas) e em 1979, AR76 /A (5 marchas). O motor era um 1.995 cc a gasolina com 80 hp a 4.500 rpm e torque de 15. 0 kgmf a 2.800 rpm. O novo motor a diesel foi introduzido em 1979, com 2445 cc e 72 hp a 4.200 rpm.


O Fiat 1107 foi usado também como Posto de Comando Móvel militar com equipamentos de rádio comunicações, para isso, o sistema elétrico 12 volts dos modelos civis foi alterado para 24 volts para operar os equipamentos.
Em 1976, em colaboração com a Fiat, a francesa Renault produziu sua versão do Nuova Campagnola, denominado Renault TRM 500, com motor Renault 829, para atender um contrato de suprimentos de veículos de reconhecimento do Exército Francês. O Fiat também foi exportado para a Iugoslávia, modelo Zastava JD 1107.
Em 1980, o Nuova Campagnola ficou famoso por tornar-se o papamóvel, inclusive no atentado sofrido em 1981 contra João Paulo II.

A produção encerrou em 1987.
Mas o IVECO Massif, em 2008, veio para ser o novo Campagnola para uso militar, sendo que está atualmente em estudo para adoção pelo Exército Brasileiro.


Fonte: 4x4 channel tv , Fiat Italia, autoevolution.com. Fotos: acervo do blog.





segunda-feira, 18 de julho de 2016

Jeep 75th anniversary

Sem palavras...... Jeep Wrangler edição especial 75 anos. Caso produzido em série certamente seria disputado a tapas!

quarta-feira, 22 de junho de 2016

O jipe "Mau" italiano - Jipes militares diferentes parte 1

O conceito de um veículo 4x4 leve, pequeno e principalmente ágil e robusto era buscado há muito tempo , mas a "receita" só foi acertada com o surgimento da versão definitiva do Jeep Willys MB/Ford GPW. Tão bem acertada que  virou a base para outros veículos similares mundo afora no período pós-guerra, a partir de 1946 e permanece até hoje.
Há menos de 05 anos de finalizada a Segunda Guerra Mundial, a Itália arrasada estava em franca reconstrução. A máquina Jeep encantou também os italianos e um de seus maiores engenheiros automotivos, Giuseppe Busso, buscou atender a demanda por veículos militares leves em substituição aos importados Willys/Ford sobrados da guerra, quando em janeiro de 1951, utilizando o conjunto motriz do veículo Alfa-Romeo 1900 Giardinetta (Berlina) construiu o primeiro protótipo do veículo que ficou conhecido como AR-51 "Matta", que significava louco, mau. A potência foi reduzida de 80 para 65 hp  a baixos 4400 rpm, atingindo velocidade máxima de 105 km/h. Tem-se a notícia que foram produzidos 6 protótipos, incluindo um modelo a diesel equipado para limpeza de neve.



 O espaço interno na parte frontal era inferior ao Jeep, mas a posição de dirigir e a instrumentação eram dispostos de maneira mais eficiente e ergonômica. Já o espaço traseira era mais generoso.











Surgia então o modelo Alfa Romeo 1900M  AR-51 (versão militar), o Alfa jeep ou Italian Jeep. Tiveram vida curta, sendo produzidos de 1952 a 1954. A sigla do modelo militar AR-51 significava Autovettura da Ricognizione (veículo de reconhecimento, scout car) , o número 51 fazia referência ao ano de desenvolvimento do primeiro veículo e o M de militar. No início de 1953 foi redesignado como AR-52.
O Ministério da Defesa italiano previa inicialmente , através de especificações, a evolução do modelo até o AR-59, mas a concorrência da Fiat e seu modelo Campagnolo sepultaram a evolução e próprio veículo da Alfa Romeo.
                              





 
Acima: o principal concorrente, Fiat Campagniolo.

Os primeiros protótipos participaram de uma competição tipo rally ou raid, em maio de 1951 em Serravalle del Chianti, junto com o Jeep e o protótipo do Fiat Campagnolo. Mas foi em outubro do mesmo ano, após participar de 4 rallys e não apresentar nenhum problema significativo que a produção foi aprovada e as primeiras unidades de série surgiram em março de 1952.
Segundo os livros "Le Vetture di Produzione" , de D'Amico e Tabucchi, e "Alfa Romeo Tutte le Vetture al 1910" de Luigi Fusi, foram produzidos no total cerca de 2167 unidades, sendo 1005 em 1952 (chassis número 00001 a 01005, 1007 em 1953(chassis 01006 a 02012) e 155 (chassis 00001 a 00155) em 1954.
Do total, 2.000 unidades foram destinadas para os militares italianos, os demais, para uso civil na agricultura e combate a incêndios, ambulância, além de 120 a 154 destinados a uso policial (Carabinieri ou Polízia di Stato).
Porém, quando Busso e sua equipe preparavam novos testes e modificações no projeto original, a despeito da fama de qualidade da Alfa Romeo, foram surpreendidos pelo cancelamento do contrato em favos do modelo concorrente da Fiat, o Campagnolo. Apesar da maior efetividade, tecnologia e presteza, o modelo da Fiat tinha mecânica mais simples e era mais barato que o Alfa, fato principal que fez com que o Exército Italiano escolhe-se o Campagnolo a partir de 1954. Mesmo com breve período de produção, o "Matta" conseguiu feitos em competições como uma vitória nas Mille Miglia na classe para veículos militares.

Ficha técnica:
Carroceria de aço com chassi, 6 lugares.
Motor 4 cilindros em linha a gasolina DOHC 1.884 cm³, carburador SOLEX 33 PBIC
Potência de 65 hp a 4.000 rpm Torque de 12,5 kgmf a 2.500 rpm
Tração 4x4 temporária (traseira permanente e dianteira mediante engate por alavanca)
Largura 1.575 mm
Altura: 1.820 mm
Comprimento: 3.520 mm
Caixa de marchas de 4 velocidades a frente 1 a ré
Sistema Elétrico: 12 volts
Relação de diferencial: 4,70: 1
Suspensão dianteira independente com barras de torção
Suspensão traseira por eixo rígido e feixe de molas
Rodas: aro 16 x 4,50
Pneus: 6.40 x 16 ou 6.50 x 16
Distância entre-eixos: 2.200 mm
                              



sábado, 21 de maio de 2016

CORES WANDA E CORAL JEEP/RURAL FORD


 Mais uma parte de catálogos de cores, muito úteis para nós. Lembrem-se que uma série de fatores podem afetar a percepção das mesmas, como luminosidade e resolução da tela do computador, reprodução da tinta em papel, etc.



sexta-feira, 25 de março de 2016

M422 Mighty Mite - O Porsche dos jipes



Os Exército dos Estados Unidos, nas suas especificações para um veículo leve de reconhecimento que mais tarde daria origem ao Jeep, fixou um peso máximo inicial de 572 kg, aumentado mais tarde para 972 kg para atender convenientemente a Ford, pois mesmo assim o protótipo da Bantam pesava, no final, 922 kg. Enfim, o Jeep surgiu e seu relativo baixo peso e tamanho pequeno o credenciaram para ser transportado via aérea. Várias modificações nos modelos MB/GPW foram introduzidas para este fim,inclusive já foram alvo de post neste blog (jeep paraquedista). Estas modificações,algumas bastante satisfatórias, não lograram êxito, em parte porque o avião-transporte estava nesse tempo submetido a modificações para tornar-se cada vez mais adequado e a prioridade deixou de ser um Jeep leve.
Porém, a partir de 1948, com a produção destes veículos já encerrada há dois anos e a necessidade de um novo veículo atualizado, a questão veio à tona novamente. Porém, com verbas reduzidas, decidiu-se revisar o modelo Willys MB. O resultado foi o M38, não muito diferente do MB,mas apresentava maior capacidade de vadear águas profundas, porém a capacidade de carga e pessoal ainda era insatisfatória. Desenvolveu-se então o M38A1. Mais potente, mais robusto, e ainda mais pesado. Seu peso de 1.199 kg era o dobro da meta original de 1940. Na verdade, nunca haveria um Jipe de calibre operacional que pesasse tão pouco. As tentativas foram numerosas, mas as exigências sempre foram rígidas demais, ao menos para a tecnologia da época. Ou seja, exigia-se menor peso mas capacidade equivalente a 1/4 ton (250 kg).
Uma das tentativas foi o Aero Jeep, uma espécie de M38A1 encurtado e que sofreu dieta. Porém a tentativa mais bem-sucedida foi o M422 "Mighty Mite".
 
O M422 Poderoso Mite , introduzido em 1959, foi o resultado de um teste de modelo piloto feita no final da Segunda Guerra Mundial. O veículo foi concebido em resposta à necessidade de um caminhão leve o suficiente para ser levado por helicóptero (que começava a surgir como importante arma de guerra)para posições avançadas e pudesse ser faclmente deslocado por força humana se necessário. O projeto inicial do M422 foi feita por Ben F. Gregory, um engenheiro automotivo e o primeiro modelo foi bem o suficiente em testes em 1946 para levar à formação de uma empresa para desenvolver o veículo , a Mid -American Research Corporation Incorporated ( MARCO ) em Wheatland, Pensilvânia.
O protótipo , em 1950 teve de reduzir o peso. Pesava apenas 675 kg incluindo combustível, podia puxar uma carga de dois homens , mais uma carga de 500 libras ou 225 kg . Demonstrações de sucesso para o Marine Corps dos EUA levou à adjudicação de um contrato para dez veículos . O Corpo de Fuzileiros Navais necessitava um veículo tático leve para sua estratégia projetada ' Vertical Envelopment ' - envolvimento vertical, requer forças de combate para ser movido a alta velocidade em posições avançadas . O Mighty Mite parecia ser o veículo certo. Ele tinha uma série de características únicas : ponto central de direção, suspensão independente, freios internos montados na caixa do diferencial , e construção leve de alumínio.
Embora alguns fervorosos fãs dos Jeep não o consideram um "membro da família" , o M422 tem parte do DNA dos primeiros Bantam. O gerente do projeto era Harold Crist e ainda havia mais outros três que haviam trabalhado com ele no Bantam original.

A exigência de projeto básico foi desenvolver um leve veículo robusto, compacto. Outros veículos militares 1/4 ton, quer no design ou no sistema de abastecimento não foram consideradas aceitáveis ​​para essas operações.
Essas metas foram realizadas sem comprometer a capacidade de executar outras funções exigidas de um 1/4 ton, 4x4, veículo tático. A tara do veículo, incluindo combustível, foi 1750 libras, e tinha um comprimento total de 107 polegadas, uma largura total de 60 polegadas e uma altura redutível de 45 polegadas. O cubo do transporte foi de 171 pés cúbicos. O M422 havia desempenhado satisfatoriamente a todos os testes militares necessários no que diz respeito à mobilidade, capacidade de carga e durabilidade.
Era para ser , basicamente, um veículo pessoal de carga e incluía rebocar o modelo 1/4 ton reboque de carga M416B1 . Pode transportar quatro pessoas ou dois, mais 500 libras, e em operações de cross country foi capaz de puxar um reboque carregado com 1000 libras .Podia ser adaptado para a montagem do rifle sem recuo 106 mm. Duas ninhadas também pode ser instalado e que por vezes foi usado para a instalação de rádio de comando. Todos os componentes foram completamente impermeabilizados e , com pouca preparação prévia , poderia ficar completamente submerso.
O Mighty Mite foi alimentado por um motor em alumínio de 4 cilindros em V, refrigerado a ar, com potência de 55 cavalos a 3600 rpm.O trem de força foi extensivamente testado e aprovado. Testes e avaliação do Poderoso Mite procederam em Quantico , Virginia.


O Corpo de Fuzileiros Navais pretendia que o veículo entrasse em produção sem demora, mas um item em regulamentos militares impediu. Os veículos de teste tinham motores de 4 cilindros Porsche e regulamentos militares , permitindo a utilização de motores importados para veículos de teste , por razões óbvias não se estendeu essa permissão para modelos de produção. O fato lamentável e um pouco constrangedor foi que não havia nenhum produto americano satisfatória disponível para substituir o propulsor importado. A MARCO saiu então à procura de um motor para o Poderoso Mite .E tiveram sorte.
Na American Motors Corporation um motor existia em fase de protótipo, um motor a ar V-4 de alumínio capaz de produzir cerca de 50 HP. A MARCO e American Motors acharam conveniente chegar a um acordo que envolveu a transferência de fabricação para a American Motors, que prosseguiu com o desenvolvimento do veículo.
Uma das primeiras alterações foi o alargamento do motor a partir de 95 a 104 polegadas cúbicas (cerca de 1700cc) para potência extra, o que deu 54 HP a 3600 rpm. O Corpo de Fuzileiros Navais propôs modificações, incluindo mudanças na construção de armação tubular para a construção do tipo de quadro convencional. Esta mudança iria diminuir o peso do quadro e reduzir os efeitos corrosivos dos gases de escape e também "o veículo foi aumentado para um comprimento total de 107 polegadas em uma base de roda de 65 polegadas. Este aumento no comprimento, além de outras alterações, aumentou a tara a 1700 libras, que ainda foi considerado dentro dos limites das exigências do Corpo de Fuzileiros Navais.
O desenvolvimento continuou a partir de novembro 1954 a novembro de 1957. As negociações com os militares levaram, em 30 de Abril 1958, a um contrato de produção de cinquenta veículos. O primeiro requisito, no entanto, foi de sete veículos de protótipo para testes pelo Exército dos EUA e do US Marine Corps. Condicional, mediante desempenho satisfatório nos testes, mais 243 seriam comprados.

 

Os testes com os primeiros sete foram concluídos em Dezembro de 1959. As deficiências foram corrigidas e a produção dos restantes 243 veículos começou. Uma ordem de um contrato para mais 1000 M422s foi emitida. No meio da ordem uma mudança foi proposta para que o comprimento do M422 aumentasse. Mais uma vez o problema de peso emergiu, como qualquer aumento de comprimento inevitavelmente envolve também um aumento do peso. O comprimento do veículo subiu para seis polegadas (15 cm), mas com cuidado o aumento de peso foi de somente trinta libras (13,5 kg) e foi agora designado como M422A1. Dois contratos, entre eles produção de até 3922 veículos, seguido da modificação do comprimento. A última unidade foi produzida em dezembro 1962.
Os modelos tinham dois assentos ajustáveis e dobradiços, quadro de pára-brisa desmontável e dobrável, uma porta traseira articulada e suspensão independente com molas de lâminas longitudinais para reduzir o perigo de roll-over (capotagem). Ganchos ou manilhas de elevação são montados nos pára-choques da frente e traseiros.
Em outubro de 1968, a Revista Four Wheeler realizou um teste de estrada e descreveu o seu desempenho como "estonteante", onde fazer curvas é como um carro esporte e nenhuma sensação de capotagem. Ou seja, parece um Porsche! A revista citava ainda que a mudança de marcha era baixa e a velocidade de 88 km/h em estrada era ótima e uma sobremarcha poderia causar a sensação de estar guiando aquele pequeno e famoso carro esporte europeu. A visibilidade era excelente e o capô curto permite ao motorista uma visão mais perfeita da estrada.







O jipinho foi extensivamente usado pelo USMC no conflito do Vietnã.



 
Fotos: acervo do blog.
Fonte: D. Denfeld/ M. Fry
 
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