domingo, 30 de junho de 2013

O Jeep Militar no Brasil - O início

     O Jeep, ao surgir no início da Segunda Guerra Mundial, antes mesmo da entrada oficial dos Estados Unidos na guerra, encantou os militares e o governo daquele país com suas qualidades  que o tornariam famoso entre os soldados. Por incrível que pareça, os primeiros a utilizarem o Jeep no front foram os britânicos (na Europa e norte da África) e não os norte-americanos, devido ao acordo de fornecimento de armas e equipamentos. Mas isso é outra história. O fato é que algo semelhante aconteceu no Brasil, que ao declarar guerra ao Eixo em 1942, passou a receber armamentos e suprimentos dos aliados, inclusive jeeps americanos em grande quantidade, que rapidamente integraram-se à cena brasileira. Depois, em 1944 ao ser enviada para o combate, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) dispôs na Itália de 655 jeeps que entraram em combate em muitas missões. Contrariamente aos jeeps dos Estados Unidos e Canadá (os únicos dois outros países do continente americano que mandaram forças para efetivo combate na 2ª Guerra), muitos voltaram ao Brasil com o fim da guerra, continuando em atividade nos quartéis do Exército em todo o país, alguns por mais de 30 anos, quando foram desmobilizados, após bastante tempo de serviço, sendo que vários deles ainda rodam na mão de civis e colecionadores.

Alunos na Escola de Motomecanização do Exército Brasileiro, em 1943.
  
Abaixo, o presidente norte-americano na época, Franklin D. Roosevelt (à frente) e o brasileiro, Getúlio Vargas (atrás), a bordo de um Willys MB 1942, inspecionam a base aérea aliada em Natal, Rio Grande do Norte, quando o presidente Roosevelt retornava da Conferência de Casablanca em 29 de janeiro de 1943.

Fotos National Geographic Magazine














Já nas paradas de 7 de setembro de 1942, o Jeep, em suas primeiras versões desfilava pelas ruas do Rio de Janeiro. Não temos dados precisos da quantidade de Jeeps enviados ao Brasil neste período, talvez não tenha passado de uma centena, e iriam juntar-se aos outros que retornariam da Itália para aproveitamento.

Willys MB 1942, provavelmente um slatt-grille, já que não apresenta o galão traseiro nem o farol de aproximação sobre o paralamas dianteiro, que foram adotados a partir de julho de 1942. Esta foto foi tirada durante a parada de 7 de setembro de 1942 e publicada na revista Esquadrilha, da época.


A foto acima mostra o Desfile da Vitória em São Paulo, com os soldados do 6º Regimento de Infantaria e Jeeps recém-chegados do front, em 1945.
Foto: Associação de ex-combatentes de SP)


A foto acima comprova o longo tempo de uso dos Jeep no Exército Brasileiro. Este modelo da Segunda Guerra Mundial ainda em uso na década de 1970, mais precisamente em 1975. Foto: 12º RCMec.


 Aqui, visto em manobras no RS em agosto de 1960.

Após a Segunda Guerra Mundial, obviamente que todas as viaturas trazidas do conflito e que puderam ser reutilizadas foram incorporadas à frota das Forças Armadas, principalmente do Exército Brasileiro. No entanto, o número era insuficiente, já que na nova doutrina militar nacional, inspirada na norte-americana, baseada fortemente em mobilidade, viaturas do tipo jipe se faziam necessárias. Ironicamente, por força do destino, foi de um ex-pracinha da FEB encantado pelos feitos do veículo no front e com visão de negócio que em 1946 o primeiro Jeep civil foi importado para o Brasil. Esse ex-pracinha era filho de Oswaldo Aranha, três vezes Ministro do primeiro governo de Getúlio Vargas. O pai, que havia adquirido uma empresa de kits de gasogênio para automóveis e arquivos de aço, chamada Gastal, junto com um colega de seu outro filho, começou a montar aqui os Jeep CJ2A trazidos de Toledo, Ohio. Rapidamente as Forças Armadas Brasileiras se interessaram pelo modelo, até porque não tinham muitas alternativas, e começaram a adquirir esses modelos e militarizá-los, ficando muito parecidos com os M38 (MC), modelos militares fabricados entre 1951 e 1952.

Acima, modelos CJ2A militarizados em paradas de 7 de setembro de São Paulo. A primeira tirada por volta de 1947, a segunda mostra o mesmo Jeep e outro idêntico em 1949 ou 1950, já equipados com faróis de longo alcance. Atrás, encoberto pelo Jeep em primeiro plano, nota-se um dos raros Fire Jeep CJ2A adquiridos.


Esta foto mostra um CJ2A militarizado em meio a MBs, à espera de reparos em Lorena, SP, em 1956, na Cia de Manutenção localizada naquela cidade.


Acima, um CJ3A militarizado.

Já com a implantação da fábrica da Willys  em São Bernardo do Campo em 1954 e início da montagem dos CJ3B (cara-de-cavalo) com os motores Hurricane 4 cilindros, estes também passaram a ser militarizados pelo Exército, portanto, não confundir-se com os M606, que vieram importados, somente no período 1964 a 1968.

CJ3B militarizados, em manobras no Espírito Santo, anos 60, pertencentes ao 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado. Abaixo um CJ3B, provavelmente um repotenciado pela Bernardini.





 Acima, desfile no final da década de 1950 mostra os inúmeros Willys MB ainda em serviço.




2 comentários:

  1. Parabéns Alisson, como sempre, excelente reportagem, com conteúdo e seriedade. Abraços

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