sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Willys CJ3A primeiras séries

        O Jeep Willys CJ3A esteve em produção durante cinco anos, de 1949 a 1953 (embora o primeiro ficou pronto em 23/12/1948, como modelo 1949) e foram produzidos cerca de  130.000 unidades desse modelo. A unidade das fotos é do primeiro ano de produção e foi caprichosamente restaurado no Rio Grande do Sul procurando seguir os padrões originais. Foi pintado numa configuração bem "civil agrícola", nas cores vermelho e Potomac Gray, ou Cinza Potomac (Código DQE-30604-DAL), constante no catálogo da Willys Overland em 1948-49. O CJ3A distingue-se do seu irmão anterior, CJ2A , principalmente pelo quadro do parabrisas, que passou a ser mais reforçado, com parabrisas único e entrada de ar abaixo do vidro e a ausência dos suportes de machado na lateral esquerda. Ou seja, o Jeep civil ficava cada vez mais diferente do modelo militar que o originou, o MB. 
Nos primeiros modelos de CJ3A o quadro de parabrisas era pintado com a mesma cor da carroceria, enquanto a partir de meados de 1952 passou a vir na cor preta em sua maioria.
Interior também impecável e praticamente no padrão original. O marcador de pressão e temperatura do óleo não está correto para o ano modelo, pois é do tipo alavanca e não dial (como ponteiros de relógios) como o original. Os modelos  com marcador tipo alavanca foram introduzidos no ano modelo 1950 a partir de número de série 43.699.



    O  botão da buzina dentro da porca de volante é original da época, pois só mudou para a cobertura de borracha sobre a porca aproximadamente ao final de 1950 . Isto foi feito para torná-lo mais à prova d'água. As listas de livros 1945-49 indicam que a mudança partiu do número de série do veículo (CJ-3A) 57215.
 

    Motor Go Devil L-Head134 (2.2 L) 4 cilindros, 60 hp. , com o filtro de ar Oakes original. A partir do número de série 62692 foi adotada a marca Donaldson, com a parte superior menos plana e mais arredondada. O radiador, pelo número de série do veículo da foto, já vinha parafusado nas laterais da grade externa, pois nos modelos anteriores, de número de série inferior a CJ-3A 31374 e nos CJ2A, a parte inferior era parafusada na travessa do quadro da grade.

      Um erro comum é pintar esses motores de vermelho, como ocorre aqui. A cor original era o preto (Preto ou o Verde Olive Drab para os Jeep Militares) , embora para publicidade podia ser visto em vermelho (mas totalmente, sem distinção de peças). O mesmo erro ocorre com os motores Hurricane 4 cil que equipavam os CJ3B e CJ-5( americanos e os montados no Brasil até 1958). Só que no caso dos Hurricane a cor variava de preto, verde claro ou azul conforme a compressão. Talvez pelo fato da cor vermelha ser o selante padrão antes da cor de acabamento, e por isso é a que acaba "sobrando" após vários anos e o pessoal acredita ser a cor de final. Vermelho mesmo eram os BF-161 6 cilindros quando instalados no Jeep e Rural/Pick-up nacionais.
Nos primeiros modelos da série CJ3 equipados com o motor Go Devil , a flange era do tipo pequena.
                                                    

     No início da produção o novo modelo vinha com uma plaqueta "de corpo" logo abaixo da plaqueta do número de série, sendo eliminada a partir de 1950. Isso talvez deveu-se ao fato de que em 1949 as carrocerias (body) passaram a ser produzidas pela Willys ao invés das anteriores, produzidas pela American Manufacturing Central. De 1949 a 1951, a plaqueta de série vinha com as iniciais CJ3A antecedendo os dígitos.
 Sistema de ar-quente Harrison deu um charme especial a esta unidade. Eu vi pessoalmente, e funcionando!
Transmissão T-90 Borg-Warner, 3 velocidades, com caixa de transferência Dana 18. Eixo dianteiro com diferencial Dana 25 e traseiro Dana 41 ou 44.
Que belo Jeep não?


domingo, 20 de setembro de 2015

A Bantam e o Dia do Jeep

   O mês de setembro é muito especial para o Jeep. Foi, por assim dizer, o mês em que ele surgiu rodando, para admiração dos militares norte-americanos, em 1940.
   O surgimento do Jeep foi fruto de uma série de esforços de militares e civis, desde o final da Primeira Guerra Mundial, quando a Divisão Técnica do Departamento de Material Bélico recomendou a encomenda de um veículo de reconhecimento que transpusesse terrenos difíceis e examinava um trator de 1/4 ton para este fim, assim como o Corpo de Intendência, que buscava especificações semelhantes. Queriam, em resumo, um veículo que pudesse transportar com rapidez, agilidade e segurança, pessoal, munição e suprimentos em terrenos difíceis. Reconheceram, ainda, que quanto mais baixa a silhueta da viatura, menos vulnerável ao fogo de artilharia, constituindo-se para isso num alvo menor e menos visível. Tinha de ter ainda, boa altura do solo, leveza para sair de atoleiros, velocidade, boa resistência e raio de ação. Vejam vocês que são especificações de 1919/20 e não as do Convite do Exército dos Estados Unidos em julho de 1940 para apresentação de propostas para construção do veículo de reconhecimento de 1/4 ton. 
    Porém, a ideia estava já naquela época, amadurecendo. Resumidamente, do início da década de 1920 até o surgimento do Jeep da Segunda Guerra Mundial como o conhecemos, foi-se tentado muita coisa. De tratores a veículos comerciais civis já existentes, nem o Ford Modelo T escapou de estudos para adaptação. Até mesmo um veículo estranho, cujo os ocupantes eram transportados deitados, foi projetado. Era o chamado "Sacode Barriga" (Belly - Flopper) projetado pelo Major Robert Howie e pelo Sargento Melvin Willey, que também ajudou a inspirar o conceito final do Jeep. Inclusive, o próprio Major foi enviado para trabalhar junto com a empresa Bantam no início. Eles faziam parte do Departamento de Material Bélico, mas a responsabilidade principal,na época, por veículos de uso geral, era do Corpo de Intendência do Exército, o que mais tarde, foi um dos fatores de grandes polêmicas e brigas judiciais a respeito das concessões de produção. 



   Mas enfim, em 11 de julho de 1940 o C.I. emitiu convites para apresentação de propostas de 70 "carros ou caminhões leves de reconhecimento e comando". Receberam o convite 135 empresas, incluindo a Willys e a Bantam Company. As propostas deveriam obedecer os desenhos e especificações apresentados pela subcomissão técnica(formada por oficiais da infantaria, artilharia, cavalaria, intendência e engenheiros civis) criada pela Comissão Técnica de Material Bélico. Não resta dúvida que o Jeep surgiu no Exército dos Estados Unidos, e não em outra força norte-americana, e que os desenhos e especificações partiram de lá.
   Duas propostas foram aceitas e abertas, apesar das polêmicas e do número de convites expedidos. Uma da Willys Overland e outra da Bantam Company em 22 de julho de 1940. Apesar de todas as dificuldades, foi a Bantam que conseguiu cumprir o prazo de apresentação de um protótipo e no dia 23 DE SETEMBRO DE 1940 o primeiro Jeep partiu no início da manhã, levando Harold Crist, gerente de fábrica, e Karl Probst, engenheiro-chefe, de Butler para Camp Holabird, distante 368 km.
   Chegaram, para espanto de todos, no Depósito de Holabird, às 16:30h, apenas meia hora antes de expirar o prazo. Na viagem, foi mantida a média horária de 40 km/h para evitar danos ao motor, já que o trajeto serviu para "amaciamento", sendo que o Jeep havia rodado apenas 240 km em testes da fábrica. 
   Pois bem, mesmo assim o Bantam Pilot Model, o primeiro dos 62 entregues, foi posto à duras provas pelo Exército, rodando 5.450 km, sendo que destes, apenas 380 km foram em operação rodoviária, o restante em vários tipos de acidentes de terreno. As falhas apresentadas foram apontadas e posteriormente corrigidas pela Bantam e o projeto havia sido aprovado, desse modo, sendo encomendadas 70 unidades. O Jeep ainda não chamava-se assim, mas surgia para o mundo, e entrava para a história naquele dia. Para o blog Jeepguerreiro ao menos, o dia do Jeep está embasado acima. 
E viva o Jeep!

Fonte: Jeep- o indestrutível, de D. Denfel e M. Fry.



 
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