segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

CRÔNICA DE UM JEEP - PARTE 1



Bom pessoal, vamos lá!
O ano de 2015 está só começando e aqui no blog, após vários Willys aparecerem  a pedido e para felicidade de seus donos ( e nossa também não é?) , desta vez algo inusitado aconteceu: um valente Jeep resolveu aparecer por conta própria e contar a sua história. E é claro que o recebemos bem . Mas vamos ouvir (ou melhor...ler) o que ele tem a nos contar:
Meu nome é Jeep e hoje vou contar a história da minha vida. Nasci em 1960 em São Bernardo do Campo, SP, fui montado por mãos habilidosas que trabalhavam lá. Todos me admiravam naquela época, saí da fábrica todo reluzente e pronto para encarar qualquer trabalho, me chamavam de “cavalo de ferro”, o pau para toda obra do Brasil.
Existiam muitos iguais a mim naquela época, cruzava com vários de meus irmãos pelas ruas, estas quase nunca pavimentadas, mas nunca foi um problema, afinal, fui feito para isso! Com o passar dos anos viajei muito, vi lugares incríveis que nunca imaginara um dia ver. Carreguei tudo o que fosse possível carregar, não tenho bem na lembrança de como era meu dono, mas acredito que servi muito bem a ele.
Minha fama era de valente, corajoso e muito resistente, como o locutor anunciava na televisão, “Enfrenta subidas enlameadas sem pestanejar!!!”. Esse era uma das minha melhores qualidades, nunca deixava ninguém desamparado! Infelizmente esse também era meu maior defeito, pois com toda essa fama eu era usado e abusado, não tinha parada para nada, e ai a fadiga começa a mostrar minha idade, com o tempo passo a não ser mais tão ágil e minha manutenção é mais frequente, faço muito barulho nas juntas e a ferrugem é minha inimiga. Em certo momento meu dono me encostou em um celeiro, para descansar, acreditava eu!

Lá fiquei durante um bom tempo, não me recordo de nada desse período, só que era muito escuro e chovia pelas frestas do telhado, até um certo dia que um homem veio até mim, olhou bem, viu como eu estava, abriu meu capuz, conversou um pouco e foi embora, só ouvi algo sobre desmontar e transformar em trator. Fiquei com medo naquele ponto, já tinha vinte anos e já iria virar sucata, não me conformava com isso!
No dia seguinte o mesmo homem veio com um guincho para me levar, pensei, esse vai ser o meu fim!! O nome dele era Rolf, um senhor bem alemão. Chegando no sítio dele avistei seus filhos, todos jovens e interessados no que vinha lá. Ouvi conversas de me transformar em trator para plantar mudas e colocar mourões de cerca, tremia de medo de ser despedaçado! Mas um pouco antes de me desmontarem ouvi os filhos dele dizendo que eu não estava tão ruim assim, que se me levassem de volta para São Paulo eles poderiam me restaurar. Quando o Sr. Rolf concordou, não aguentava de alegria por dentro!! Não acreditava que iria voltar a minha forma física de quando era novo!
Fui levado até a oficina rodando, não acreditava que estava andando outra vez, o rapaz que me levou precisou de um banquinho de madeira para poder dirigir até lá! Haviam buracos em meu assoalho, a ferrugem dominava minhas peças, eu precisava de bastante atenção! Fui desmontado por completo, carroceria, chassi, motor, tudo o que você possa imaginar.





Voltei brilhando igual a uma moeda nova, todos gostaram de mim assim! Voltei! Meu novo dono gostou muito do resultado, e logo seus filhos passaram a andar comigo, não era mais usado com tanta frequência mas quando era, era pra valer! Eles me levaram umas 3 vezes para participar de provas de Raid, pra explicar bem, era uma “corrida” que você deveria ficar o mais próximo do tempo que os organizadores estipulavam, a cada minuto saia um carro. Quando eu saí, recebemos a planilha, o destino era Ilha Comprida, saindo de São Paulo.
Enfrentamos muitas dificuldades, muito barro, uma das pás de minha hélice quebrou durante a trilha, tiveram que cerrar a pá do outro lado para que eu conseguisse terminar a trilha, e mesmo assim levamos mais de 16 horas para terminá-la! Foi a trilha mais difícil que já fiz! Pensava eu!
Depois de algum tempo um dos filhos do Sr. Rolf (Henrique) começou a cuidar mais de mim, fez uma pintura nova, fez um novo chicote elétrico, e muito mais! Rodava bastante, eu era famoso no trabalho dele, todos me conheciam e gostavam de mim! Levava ele e sua namorada para todos os lugares, namoro este que resultou em casamento e deu origem ao meu dono atual! Na lua de mel levei os dois de bom grado até Ilhabela, no litoral paulista, atravessei a ilha até a praia de Castelhanos, trecho bem complicado de se rodar na época, só conseguia ver que o precipício ao meu lado não tinha fim! Tenho até foto minha lá!!



Na volta da lua de mel fui abalroado em São Paulo, uma caminhonete mais estressada não teve paciência de andar no meu ritmo e me deu um empurrão. Amassado que levei comigo durante bom tempo, no canto esquerdo de minha traseira.
Quando o primeiro filho(Andreas) nasceu eu ainda era usado como veículo principal da família, eu tinha uma cadeirinha especial para ele, o problema foi quando veio o outro bebê (Martin), ironicamente por causa dele eu tive que ser trocado por um carro com mais lugares, me lembro que fui estacionado na mesma garagem que cheguei na primeira vez, muito escura por sinal, lembro que o Sr. Rolf me tirou de lá para passear algumas vezes, apenas em finais de semana e para ir até a vila da cidade, buscar correspondências e apenas isso!
O problema é que o Sr. Rolf já não tinha mais os reflexos de sempre, então era perigoso demais para irmos rodar juntos, logo fiquei mais um tempo na garagem. Quando os filhos do Henrique já tinham uns 3~5 anos ele fez uma geral em mim, para dar uma volta, foi a primeira vez que o Martin me dirigiu, no colo de seu pai só controlava meu volante, subi a rua de sua casa em primeira marcha reduzida, bem devagarzinho para ele poder me controlar com segurança.
Depois disso só fui sair da garagem quando o Martin tinha 7 anos, lembro que precisei de muitos cuidados para funcionar, trocaram várias peças do motor, cabos de velas, uma bela limpeza do carburador, e uma revisão nos freios. O problema foi na hora de sair de lá, uma linha de gasolina vazou sobre meus cabos de vela, resultado, comecei a pegar fogo!!! Sorte minha que o Martin conseguiu ver fogo pela freta do meu capuz, na hora o pai dele correu pegar o extintor de incêndio e apagar o fogo!!! Não sofri danos graves, apenas alguns cabos de vela e mangueiras derretidas, logo me consertaram e voltei a andar como sempre!!
Pena que não por muito tempo, logo voltei para aquela garagem, só que dessa vez fui esquecido por mais de 13 anos! Foi um tempo difícil para mim, não via a luz do sol, não sabia o que estava acontecendo, quando em um dia o Martin chegou para me ajudar, desse dia em diante nunca mais parei!!! Durante um ano ele foi me restaurando, eu rodava todos os dias sem falta, ele me levava para o trabalho, e eu esperava ele todos os dias no estacionamento! Todos gostavam de mim, era uma referência para todos, e nos finais de semana ele ainda me levava para passear!
Até o dia em que fui fazer uma trilha com um grupo de outros “fora de estrada”, o problema é que na minha época trilhas eram diferentes, cheguei lá e o negócio ficou feio, fui muito valente, mas chegou um ponto que não teve como, atolei bem no pior trecho, com água até o pescoço! Me esforcei mas não deu, fiquei lá borbulhando o escape até que outro carro me puxasse para fora, dali para frente só consegui sair rebocado, não sei como consegui chegar em casa depois disso, meu motor ficou falhando e funcionando mal. Cheguei em casa nos últimos suspiros, engoli muita água e acabei bem danificado!






Não percam o próximo capítulo e vejam como acaba esta história verídica!


Crédito das Fotos: Martin Yves Wildmann

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

O Jeep brasileiro e o estepe na traseira

Além do Jeep Universal "Bernardão" 6225 101 4 portas (CJ-6) e dos 5224 (CJ-5) Militares , no Brasil existiram modelos que saíram de fábrica com o estepe originalmente posicionado na parte traseira da carroceria. A característica em comum entre estes modelos, exceto o protótipo de 1981, era a ausência da tampa traseira.
O primeiro a surgir, após o 6225 (Bernardão) , foi o modelo Jeep Biquíni 4x2, apresentado no Salão do Automóvel em 1966. Era uma espécie de Jeep de passeio, inspirado nos modelos norte-americanos Jeep Gala Surrey 4x2.


O segundo modelo, também 4x2, surgiu no início da década de 1970 na tentativa de simplificar o Jeep, atingindo o público jovem que buscava lazer e aventura e estava descobrindo os buggies. 


O terceiro foi o modelo de 1972, que durou muito pouco, assim como o Jeep Biquíni. Este modelo era mais esportivo e incrementado que o básico, pois a intenção não era ser o veículo mais barato do Brasil.
 Maiores detalhes sobre estes veículos você encontra no post de 27 de novembro de 2012, ou digite Jeep 4x2 no campo pesquisar deste blog.
Este da foto abaixo é o protótipo de 1981, que incorporava os acessórios comuns para a época e que, infelizmente, nunca chegou a ser produzido em série. Além dos acessórios foi modificado com várias melhorias mecânicas. Mas isso é assunto para outro post.


 Acima, o 6225 (CJ-6 4 portas).
 Na foto abaixo, um modelo 1977, com o padrão de colocação de estepe que marcou o Jeep civil.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Museu Militar Brasileiro - ACMMB - Panambi

Este é um daqueles lugares onde entusiastas da história militar e aficcionados pelas máquinas bélicas podem passar várias horas sem dar-se conta , comportando-se como crianças num parque de diversões. Um acervo interessantíssimo de viaturas de quase todos os tipos, peças e militarias aos montes, ou seja, história por todos os lados.
Tive o enorme prazer de conhecer este lugar dos amigos Steindorff, que são pessoas fora-de-série, foram poucas horas mas que valeram a pena, e espero voltar lá. Sem falar na lojinha de artigos militares e presentes, onde claro, saí com sacola cheia de "presentes para mim mesmo". 
Estou falando da Associação Cultural Museu Militar Brasileiro na cidade de Panambi, no Rio Grande do Sul, junto à BR 285, KM 420. Anexo ao Museu, mantido por particulares, funciona a Steindorff Viaturas, que comercializa peças, militaria e viaturas militares antigas. Acesse www.museuacmmb.com.br. Bom mesmo é ir até lá.
Algumas fotos que tirei  falam por si só:


















quarta-feira, 22 de outubro de 2014

CJ3A 1952 COM CAPRICHO DE PAI E FILHO



O primeiro Jeep Universal Willys CJ3A ficou pronto em 23/12/1948, na fábrica em Toledo, Ohio. Somente neste período foram produzidos 308 unidades, obviamente já como modelos 1949. Por isso,oficialmente este modelo surgiu em 1949. Nesse mesmo ano, foram exportados 600 Jeeps CJ3A Alpine (dos Alpes) para a Suíça. Em junho do mesmo ano, o Exército dos Estados Unidos encomendou 4.000 Jeeps M-38, a versão militar (na verdade militarizada) do CJ3A, cujo primeiro teste piloto deu-se no último dia de 1949. Foram produzidos cerca de 130.000 CJ3A nos seus cinco anos de produção. A produção encerrou em meados de 1953, de onde saíram da linha de montagem naquele ano 10617 unidades de CJ3A. O M38 já estava fora de linha desde julho de 1952. O final do ano de 1952 e até meados de 1953 possui um fato marcante na história do Jeep, pois dividiam a linha de montagem o CJA, CJ3B (surgido em dezembro de 1952) e o moderno M38A1 militar (surgido em junho de 1952) , que deu origem mais tarde ao CJ-5.

O exemplar de CJ3A que apresentamos neste post é um modelo 1952, muito bem restaurado e de propriedade do amigo, leitor do blog e entusiasta de Jeeps e outras máquinas antigas, inclusive bicicletas, Jivago.
Segundo nos conta, a história deste CJ3A iniciou-se por acaso, pois ele procurava um modelo "42" , o clássico Willys MB militar, cujo exemplar já era conhecido pela família, que havia possuído um na década de 70. Por isso, inicialmente, a ideia era militarizar o CJ.
Porém, em busca de maiores informações, decidiu-se por resgatar a originalidade quando um amigo de Vilha Velha, no Espírito Santo, opinou afirmando que um veículo militarizado será sempre militarizado, nem civil, nem militar originalmente. É um espírito santo mesmo esse amigo, pois ajudou Jivago a tomar essa sábia decisão.
Como nos relatou, o processo de restauração não foi fácil: viagem a longas distâncias atrás de peças, contatos com o exterior, trocas de ideias com amigos entendedores de todo o país, troca de oficinas, prejuízos com serviços mal executados e fornecedores descompromissados, quebra-cabeça para entender variações de cores, peças e detalhes que são invisíveis para muitos, mas se tornam alvos para os mais puristas... A semelhança com vários casos de restauração não é mera coincidência.
Essa "aventura"iniciou em 2005, e um fato muito legal relatado é que o processo possibilitou além da aprendizagem, dividir os momentos de trabalho com o seu pai. A restauração teve de ser interrompida por diversas vezes, sendo efetivamente retomada em 2013. Jivago nos conta que ainda serão adicionados alguns acessórios e que um veículo antigo é uma eterna composição, pois se acabarem os detalhes o Hobby não estará completo. Ele nos cita algumas características originais de seu CJ3A que revelam a sua dificuldade no restauro e o seu esmero na busca da originalidade:
S dos freios dianteiros;
Rodas Rebitadas;
Lanternas traseira americanas lente reta;
Lanternas dianteiras lente baixa;
Tampa traseira com recortes característicos;
Tanque boca larga e tampa original;
Mangotes de freio 6” americanos;
Porcas e estojos de rodas rosca esquerda;
Caixa de ferramenta com logo Jeep;
Limpador de parabrisaTrico a vácuo;
Jumelos em U;
Escapamento original passando acima da travessa;
Direção com sistema de duas barras;
Arranque no pé;
Relógios e botões do painel
Saidas de água laterais e inferiores no assoalho;
Detalhes dos estribos dianteiros com reforço na lata;
Entre outros tantos detalhes, todos itens citados seguindo fielmente o original.

 Segundo o catálogo Willys de 1952 o verde da carroceria é o Hatteras Green Gray


 Lanternas NACO americanas originais lente reta.


 Os primeiros CJ3A tinham o quadro de parabrisas pintado na mesma cor da carroceria. A partir de 1952 adotou-se a cor preta como padrão.

Segundo Jivago "os agradecimentos infelizmente não podem ser personalizados para que não corramos o risco de não esquecer ninguém, uma vez que muitos amigos nos ajudaram com conselhos, links, materiais, dicas, venda de peças e principalmente no incentivo para seguirmos em frente com o projeto visto que as dificuldades foram inúmeras."
* Texto elaborado pelo autor do blog segundo o relato enviado pelo leitor e colaborador. Fotos de autoria do leitor e proprietário do veículo. Permitida a reprodução citando a fonte.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

FILTRO DE ÓLEO NA EMBALAGEM ORIGINAL



Filtro de fevereiro de 1974 para Linha Willys/Ford. Cortesia do amigo Ivo Duarte. Só tenho as fotos, não o filtro, infelizmente.

 
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